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O espaço dado ao homem - 'naquilo que ele tem de empírico' - na estrutura dos modelos em cada faixa do espectro

Aquém do objeto

Não há espaço estrutural na estrutura do sistema input-output, para as ideias ou elementos de imagem requeridas para os dois papéis do homem – ‘no que ele tem de empírico’ como diz Foucault.

Podemos ver com alguma clareza a ausência do homem como ideia, e respectivo elemento de imagem, no pensamento clássico de várias maneiras, entre elas:

  • pelo funcionamento do pensamento na formulação da operação, e também no instanciamento da representação formulada;
  • nos exemplos de modelos de operações de produção e de organizações que examinamos a seguir.

Acontece que por vezes, em vista da ausência de espaço estrutural para a ideia ‘homem’, alguns projetistas de modelos optem pela inclusão não da entidade homem propriamente, mas de um rótulo com esse nome, acrescentado como meta-dado, a entidades anteriormente existentes.

Diante e Além do objeto

Na estrutura daquilo que Foucault chama de ‘essa maneira moderna de conhecer empiricidades’, o homem – ‘naquilo que ele tem de empírico’ tem importância determinante, e na sua duplicidade de papéis: 1) raiz e fundamento de toda positividade; 2) elemento do que é empírico. 

Podemos ver claramente a presença do homem como ideia, e respectivo elemento de imagem, no pensamento moderno também de várias maneiras, entre elas:

  • também pelo funcionamento do pensamento na formulação da representação e da sua operação construtiva, e também no instanciamento da representação anteriormente formulada, construída e adicionada ao Repositório de proposições explicativas formuladas de acordo com as regras da língua.
  • a proposição – o bloco construtivo fundamental padrão para construção de representações pode ser formulada com todos seus elementos ocupando posições estruturais operacionais;
  • também podemos ver essa presença de várias maneiras, mas por exemplo, no modelo de operações de produção (instanciamento de uma representação) no modelo descritivo da produção do Kanban

Aquém do objeto

Não há, na estrutura do pensamento clássico, espaço para a figura do homem em qualquer um dos seus dois papéis; e também não há espaço para a noção de objeto definida por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas.

Diante e para Além do objeto

Há, na estrutura do que foucault chama de ‘essa estranha maneira de conhecer empiricidades’ espaço para o homem ‘naquilo que ele tem de empiírico’, permitindo o desempenho dos seus dois papéis:

  • raiz e fundamento de toda a empiricidade;

     

  • elemento do que é empírico.

‘Na medida, porém,
em que as coisas giram

sobre si mesmas, reclamando para seu devir não mais que
o princípio de

sua inteligibilidade
e abandonando o espaço da representação,
o homem,

por seu turno, entra,
e pela primeira vez, no campo do saber ocidental.’

Michel Foucault (*)

(*) As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Prefácio