Eis que nos adiantamos bem para além do acontecimento histórico que se impunha situar — bem para além das margens cronológicas dessa ruptura que divide, em sua profundidade, a epistémê do mundo ocidental e isola para nós o começo de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.

É que o pensamento que nos é contemporâneo e com o qual, queiramos ou não, pensamos, se acha ainda muito dominado pela impossibilidade trazida à luz por volta do fim do século XVIII, de fundar as sínteses no espaço da representação; e pela obrigação correlativa — simultânea, mas logo dividida contra si mesma — de abrir o campo transcendental da subjetividade e de constituir, inversamente, para além do objeto, esses quase-transcendentais que são para nós a Vida, o Trabalho e a Linguagem. Michel Foucault, As Palavras e as Coisas, cap. IX (excerto).

Eis que nos adiantamos bem para além do acontecimento histórico que se impunha situar, bem para além das marcas cronológicas dessa ruptura que divide, em sua profundidade, a epistémê do mundo ocidental e isola para nós o começo de
certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.

É que o pensamento que nos é contemporâneo
e com o qual, queiramos ou não, pensamos.

  • se acha ainda muito dominado
    pela impossibilidade,
    trazida à luz por volta
    do fim do século XVIII,

    de fundar as sínteses
    no espaço da representação;
  • e pela obrigação correlativa, simultânea,
    mas logo dividida contra si mesma,

    de abrir o campo transcendental
    da subjetividade e de constituir inversamente,
    para ALÉM do objeto,
    esses “quase-transcendentais”
    que são para nós
    a Vida, o Trabalho, a Linguagem.

As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas, de 1966
Cap. 8 – Trabalho, Vida e Linguagem; I. As novas empiricidades