“Eis que nos adiantamos bem para além do acontecimento histórico que se impunha situar — bem para além das margens cronológicas dessa ruptura que divide, em sua profundidade, a epistémê do mundo ocidental e isola para nós o começo de certa maneira moderna de conhecer as empiricidades.

É que o pensamento que nos é contemporâneo
e com o qual, queiramos ou não, pensamos,

  • se acha ainda muito dominado
  • pela impossibilidade,
    trazida à luz por volta
    do fim do século XVIII,

    ? de fundar as sínteses
    no espaço da representação
    ?
  • e pela obrigação correlativa, simultânea,
    mas logo dividida contra si mesma,
  • de abrir o campo transcendental
    da subjetividade
  • e de constituir inversamente,
    para ALÉM do objeto,
    esses “quase-transcendentais”
    ? que são para nós
    Vida, o Trabalho, a Linguagem.

As palavras e as coisa: uma arqueologia das ciências humanas, 1966
Cap. 8 – Trabalho, Vida e Linguagem; I. As novas empiricidades